Sábado, 08 de Agosto de 2020
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Política ENTREVISTA

Petrus Evelyn fala a Toni Rodrigues: o jornalismo honesto está em falta!

Jornalista é perseguido pela estrutura de combate ao crime organizado pelo simples fato de ter feito críticas ao ex-secretário Fábio Abreu, deputado federal pelo PL

01/08/2020 08h13
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Por: Redação
O jornalista Petrus Evelyn: na mira do tira por exercer condignamente a sua profissão (Foto/180Graus)
O jornalista Petrus Evelyn: na mira do tira por exercer condignamente a sua profissão (Foto/180Graus)

Toni Rodrigues

Editor

Escritor, jornalista, hipnólogo. Este é Petrus Evelyn, jovem, atuante nas redes sociais, perseguido pelo poder. Em 2018, o deputado federal e secretário de Segurança, Fábio Abreu, determinou uma investigação contra ele, realizada pelo Greco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado). Espera um pouco. Crime organizado?! O que fez Petrus Evelyn para ser alvejado pelo comando especial da Polícia Civil do Piauí?! O jornalista ousou fazer críticas ao todo-poderoso mandarim da insegurança pública do estado. Criticar Fábio Abreu é como assinar uma sentença de degredo moral e perseguição política e policial. O processo continua. Petrus Evelyn, felizmente, também persiste. Suas críticas são necessárias. Ele avalia o governador Wellington Dias (PT). “Contribui negativamente para a liberdade de imprensa e de expressão.” Feita esta breve apresentação, vamos aos fatos. Confira a entrevista abaixo.

TONI RODRIGUES - Por que decidiu montar a página O Piauiense?

PETRUS EVELYN - A página O Piauiense foi criada para fazer análises de notícias de outros meios de comunicação. Apesar de ser jornalista de formação, eu não via a página de forma profissional. Era apenas um espaço que eu usava para fazer análises falando o que eu pensava - e que sentia faltava nas análises dos meios de comunicação piauienses.

TR - Que tipo de jornalismo considera necessário para melhorar as condições do estado?

PE - Falta o jornalismo honesto. Não vejo nenhum problema em um jornalista ser de direita ou de esquerda ou até mesmo em apoiar um determinado político - mas ele precisa dizer isso para o seu público. O que acontece é que os jornalistas escondem essa informação. Eles dizem que são isentos, que são imparciais, mas não são. Muitas vezes são assessores de alguns políticos e essa informação não é revelada, o que deturpa totalmente a relação com seus espectadores.

TR - Como vê a atuação dos meios de comunicaçao tradicionais?

PE - Sinceramente, eu não assisto e acompanho muito pouco. O jornalismo investigativo é inexistente e o jornalismo político é apenas fuxico de bastidores. É impossível encontrar uma pergunta constrangedora para um político em uma entrevista ou uma denúncia grave. Muitas vezes, um meio de comunicação nacional tem acesso a investigações que estão acontecendo no Piauí e que não saiu nada nos meios de comunicação locais.

TR - Como seria possivel ampliar o alcance de matérias independentes e de sites igualmente independentes?

PE - Com as redes sociais. Precisamos aumentar o engajamento dos meios independentes. E isso é relativamente fácil: apesar de não ter recursos como os meios tradicionais, as notícias dos meios independentes são muito mais interessantes e relevantes. Lembro que O Piauiense tinha, em 2018 (antes de eu ter parado com a página por 2 anos por conta de perseguição política), um alcance maior que a maioria de portais endinheirados do Piauí. O motivo é que a independência faz com que o jornalista crie matérias que são realmente de interesse das pessoas.

TR - Por que faz críticas ao sistema de segurança?

PE - Eu faço críticas ao sistema de segurança do mesmo modo que faço ao sistema de saúde, ao sistema educacional etc. O sistema de segurança não era o único a ser criticado. Mas, é claro, a violência é um dos fatores que mais afeta a nossa vida. Na educação ou na saúde ainda há a possibilidade, para algumas pessoas,para contratar profissionais particulares, mas como fazer com a segurança? Acabamos todos nos tornando reféns das gestões da Segurança Pública. Somos assaltados e assassinados, diariamente, por conta da incompetência dos gestores.

TR - Foi processado pelo deputado Fábio Abreu? O que ocorreu com o processo?

PE - Sim. Em 2018, fui intimado pela Delegacia do Crime Organizado (GRECO) e descobri que havia uma investigação dessa delegacia especializada acontecendo a meu respeito. O então secretário de Segurança e deputado Federal, Fábio Abreu, ordenou, em caráter especial, que o GRECO fosse designado para me investigar. Logo, abriram um processo contra mim por ter feito críticas à sua gestão. O processo ainda está em andamento e, diariamente, denuncio o abuso de poder e o uso da máquina pública sendo realizada por esse senhor.

TR - Como avalia a ação de imprensa no tocante a solidariedade entre profissionais?

PE - Eu não espero solidariedade dos outros jornalistas. Mas, considero que um deputado federal processar um jornalista é, no mínimo, uma notícia relevante para a sociedade. Qual o motivo do processo? Como está o andamento? Será se essa não é uma informação importante para os eleitores do Fábio Abreu? Para o jornalismo político? Duvido que algum jornalista tenha ao menos lido o processo. Como eu sempre digo: nenhum grande meio de comunicação do Piauí faz jornalismo, eles fazem apenas assessoria de imprensa. 

TR - Que contribuição oferece o atual governador à liberdade imprensa e de expressao?

PE - Ele contribui negativamente. O Governador Wellington Dias comprou todos os meios de comunicação e orienta seus secretários a processarem cidadãos que critiquem seu governo. Foi assim em 2016, quando fui processado pelo secretário da Fazenda, Rafael Fonteles, por ter feito críticas ao programa CPF na Nota. Já são 2 processos que recebo de secretários do Wellington Dias simplesmente por ter expressado minha opinião sobre suas gestões. É um abuso de autoridade total.

TR - Quem você destacaria na imprensa piauiense no tocante ao verdadeiro procedimento de um jornalista?

PE - Você - Toni Rodrigues - o Marcos Melo, do Política Dinâmica. São pouquíssimos. Há diversas páginas anônimas que fazem boas análises da política local (infelizmente, precisam ser anônimas por medo de represálias). Também vejo alguns bons jornalistas na mídia tradicional que, de maneira triste, acabam por diminuir a própria qualidade do que eles fazem, porque sabem que se escrevessem o que gostariam, não seriam publicados.

TR - Considera importante a formação de um grupo para defender os direitos dos jornalistas independentes?

PE - Sim. Acredito que os jornalistas independentes precisam se unir. Os jornalistas que vivem de dinheiro público já são unidos em torno do dinheiro que o governo lhes paga. Precisamos nos unir em prol de uma causa justa: a independência da informação e a liberdade de expressão.

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