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Política DUPLICAÇÃO

É tudo simulação: O governo dos factóides e das obras intermináveis

Mais dinheiro para campanhas?! Wellington Dias visita rodovias que se encontram em duplicação desde 2012; tenta mostrar uma realidade inexistente e se contrapor à visita do presidente Bolsonaro

30/07/2020 19h21 Atualizada há 1 semana
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Por: Redação
Wellington cumprimenta operários que estão em cena para dizer que trabalham (Foto/CCOM)
Wellington cumprimenta operários que estão em cena para dizer que trabalham (Foto/CCOM)

Wellington Dias (PT) comanda, no Piauí, um governo marcado pela ineficiência e pelas inúmeras obras inacabadas, muito embora a maioria delas tenha dotação, disponha de recursos e, o que é pior, o dinheiro seja liberado e utilizado.

Uma delas, que se arrasta penosamente desde o ano de 2012, quando ainda era governador do estado o médico Wilson Martins, do PSB, antigo aliado e hoje adversário ferrenho de Dias, é a duplicação das rodovias federais de acesso a Teresina, BR 343 e BR 316, respectivamente, pelas entradas norte e sul da cidade.

Nesta quinta-feira (30), o governador esteve em visita ao canteiro de obras que está paralisado desde o início da quarentena. Ele disse que os trabalhos estão sendo retomados. Certamente, a passos de cágado. Na rodovia BR 343, nossa reportagem verificou in loco que existem máquinas ao longo do trecho (sempre estiveram ali durante a pandemia) mas que não há nenhuma movimentação. É tudo simulação. 

Governador no "canteiro" de obras: máquinas paradas e operários em cena para simulação

ASFALTAMENTO PARA ATENDER CAMPANHA ELEITORAL

A única ação de asfaltamento ocorre em várias cidades do estado onde o governador tem aliados políticos e que disputam prefeituras municipais sendo candidatos ou indicando sucessores. Uma delas é o município de Altos, 42 km de Teresina, onde está sendo feito asfaltamento em pleno período pré-eleitoral. Obras dessa natureza não ocorrem nos chamados períodos administrativos, demonstrando claramente que se trata de ação com finalidade de conquistar votos, o que, em tese, deveria ser considerado ilícito por indicar favorecimento de candidatura. Mas seria preciso a atitude do Ministério Público Eleitoral para questionar a legalidade desse tipo de ação.

Esse comportamento do governador é uma prova de que as declarações da delegada federal Milena Caland têm procedência quando ela diz que apesar das ações de combate aos atos de corrupção no estado do Piauí os agentes públicos continuam transgredindo a lei e acumulando mais prejuízo ao erário.

 A única movimentação no "canteiro" da obra foi a presença do elemento político para gerar clima de atuação

MANOBRA JÁ UTILIZADA EM 2016

Essa manobra do governador já tinha sido utilizada em 2016 quando ele mandou colocar maquinário nos trechos em duplicação e também no rodoanel de Teresina. O objetivo era dar a ideia de que as obras estavam em pleno andamento e assim justificando saída de recursos para empreiteiras que estariam realizando obras não nas rodovias a serem duplicadas e sim nos municípios onde o chefe do Executivo mantém interesses político-eleitorais. 

Ao fim daquele ano, sem qualquer justificativa plausível, o então secretário de Planejamento, Antonio Neto, disse que o estado acumulava um déficit de R$ 300 milhões, curiosamente o mesmo montante que deveria ter sido aplicado nas obras de infraestrutura anunciadas, quais sejam, duplicações, rodoanel, dentre outras. Todos se fizeram silentes, mais uma vez, para os possíveis desmandos do governador.

A HISTÓRIA DA DUPLICAÇÃO

Tudo começou em 2012. Na época do governo de Wilson Martins. Na época, Martins conseguiu empréstimo de R$ 630 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar obras de infraestrutura no estado — rodovias estaduais, pontes, anéis viários, obras de arte, dentre outras.

Em entrevista no dia 24 de julho de 2012, o então governador Wilson Martins revelou que pretendia realizar obras como a conclusão da estrada de União a Miguel Alves (realizada); de José de Freitas a Cabeceiras (não realizada); inaugurar a estrada de Esperantina a Morro do Chapéu (realizada); de Esperantina a Luzilândia (realizada). Ele ainda informou que daria a ordem para conclusão da ponte de Luzilândia, que liga o Piauí ao Maranhão, dentre outras obras.

O governador falou ainda de investimentos em Teresina, como a duplicação das saídas Norte e Sul da capital, nas BRs 343 e 316, respectivamente. “Vamos interligar a Usina Santa até o Anel Viário com toda area duplicada. Para isso, estamos solicitando uma nova operação de crédito junto ao BNDES”, informou Wilson Martins, falando ainda de um centro de evento a ser construído no Parque de Exposições Agropecuárias, a conclusão do Park Potycabana e uma nova ponte sobre o Rio Poty. Nada disso foi realizado.

ESTADUALIZAÇÃO DE RODOVIAS

No governo Dilma Roussef (PT), Wilson Martins foi até a presidente e pediu recursos para duplicar as rodovias federais de acesso a Teresina, obra já autorizada pelo DNIT. O valor a ser aplicado era da ordem de R$ 120 milhões para ambos trechos, sendo 12 km na 343 e 10 km na 316. O governo federal disse que não tinha dinheiro e aconselhou Martins a fazer a estadualização para conseguir dinheiro emprestado, que daria o aval para o financiamento sem maiores impedimentos.

Foi o que fez o governador. E então os recursos começaram a chegar e a obra teve andamento inicial bastante rápido, com desmatamento da área a ser duplicada. Na BR 343, houve grande perda de cobertura vegetal e da fauna silvestre existente nas margens da estrada. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente disse que a perda se justificava em razão da importância da obra.

O GOVERNADOR SAIU PARA SER CANDIDATO

Wilson Martins renunciou para ser candidato. Então assume Zé Filho. E aí começa uma nova história para essas duplicações. Segundo o então governador, a liberação das fases posteriores do empréstimo anteriormente mencionado foi sustada pela presidente da República atendendo a um pedido direto do então senador Wellington Dias. Zé Filho contou que a argumentação de Wellington era de que de posse dos recursos e fazendo a obra o então governador se qualificaria para a disputa e poderia derrotá-lo.

FACTOIDE CONTRA VISITA DE BOLSONARO

A movimentação de Wellington nas intermináveis obras de duplicação das rodovias de acesso a Teresina tiveram objetivo, ainda, de tentar obscurecer a visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao município de São Raimundo Nonato, 525 km a sudeste da capital. O governador não foi convidado e por isso não compareceu e nem mandou representante. 

Bolsonaro esteve no sudeste piauiense acompanhado do senador Ciro Nogueira (PP) e da deputada Iracema Portela, dentre outros políticos. Nas fotos, Wellington aparece com capacete de engenheiro, como se fosse um governante trabalhador. Nada disso procede. É apenas a máquina de propaganda em funcionamento. Não para informar, mas para distorcer e criar factóides que tentam mostrar uma realidade inexistente no Piauí. Salve as redes sociais que têm livrado muita gente do engano. (Toni Rodrigues)

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