PIAUÍ

O pitoresco jogo de versões da pandemia

Veja o que acontece...

24/06/2020 09h34
Por: Redação
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Fazer a coisa certa nem sempre é apenas uma questão de vontade. É também uma questão de bom senso. Nesse período de pandemia, alguns estão cometendo muitos exageros em nome da boa vontade. Certamente não estão se guiando pelo bom senso.

A nós, parece muito mais com uma tentativa de se notabilizar como líder de algo. Seja político, seja partidário. Talvez com um propósito eleitoral. Ou não. Simplesmente pela falta do que fazer.

Sabemos todos que a economia está sendo brutalmente agredida pela pandemia. Mas é preciso que tenhamos comedimento nessa análise. Não são os prefeitos e governadores responsáveis pela quebradeira na economia. É a pandemia em si.

Os senhores prefeitos e governadores podem ser responsáveis por muita coisa errada nesse período e ao longo do processo. Podem ser culpados por superfaturamento em obras de hospitais de campanha. Sendo que alguns foram até desnecessários. Outros nem foram colocados em utilização.

Podem ser responsáveis por direcionar licitações para compras exageradas. Diz-se, no Piauí, que não espaço de armazenagem para tanto álcool em gel adquirido pela administração estadual. Diz-se também que recursos foram empregados em reforma de hospitais quando deveriam ser destinados exclusivamente ao combate à pandemia.

O tal do vírus chinês cujo nome vem sendo censurado nas redes sociais é motivo de muita exacerbação por parte de governadores e prefeitos. Eles podem ser culpados ainda pela compra superfaturada de respiradores. Ou pela compra de equipamentos para animais que tentam empurrar como se tivessem serventia para uso em humanos.

Mas eles não podem ser responsabilizados pelo fechamento das atividades (talvez sejam culpados por não fiscalizarem os seus decretos). Neste caso, seguem não apenas a recomendação das autoridades médicas. Seguem um protocolo internacional.

O mundo inteiro está adotando e com resultados aparentemente positivos até agora. Vejamos o caso da Itália. Vejamos o caso dos países nórdicos. Mas não vejamos o caso do Brasil, onde tudo se politiza. Onde até empresários querem se fazer de políticos e assumir vezes de lideranças para dizer que estão contribuindo com alguma coisa, supostamente salvando vidas.

Na verdade, estão apenas jogando mais lenha na fogueira de um país de elementos funcionais que, na sua grande maioria, mal conseguem entender o que está sendo dito, quanto mais interpretar o que é escrito. São, na prática, palavras ao vento, mas que ganham uma propagação espantosa para desvirtuar o debate e disseminar o caos.

A pandemia, por si só, já faria muito estragos, como visto. Mas está sendo ajudada por um grupo imenso de pessoas que parecem não ter capacidade nenhuma de analisar o que acontece à sua volta. Defender a reabertura alegando que serão utilizados protocolos necessários é a mesma coisa que pregar o uso de armas num país em que se mata até por causa de uma simples discussão de trânsito.

Esses empresários, ou supostos, deveriam enxergar que suas atitudes não estão contribuindo em nada. Passarão para a história não como indivíduos que contribuíram para salvar vidas. Mas como elementos que incensaram a pandemia. (Toni Rodrigues)

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