QUARENTENA

Livros a serem escritos e o isolamento social que não funciona

Em Altos, a cidade se movimenta quase que normalmente e os casos do Novo Coronavírus não condizem com essa realidade

14/06/2020 08h55
Por: Redação
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José Amaro Machado, personagem trágico da política piauiense
José Amaro Machado, personagem trágico da política piauiense

Na quarenta, tenho assistido muitos filmes e lido alguns livros. Tenho tentado escrever um livro de contos, que persiste inacabado. Tenho tentado dar forma a outros livros que iniciei algum tempo atrás. Como, por exemplo, um que trata sobre o assassinato do governador José Amaro Machado, em 1871, no Piauí. Ele foi morto por envenenamento juntamente com mulher e filha recém-nascida por ser um simpatizante da causa abolicionista e libertar escravos quando esse ainda era um tema proibido em solo mafrense.

Machado foi vítima de uma armação infame dos seus inimigos políticos e sua morte desestabilizou a província por muito mais tempo do que se possa imaginar. Tanto que depois de sua morte foram vários os presidentes que assumiram sem conseguir passar mais do que alguns dias ou semanas no cargo. A coisa era realmente tenebrosa e todos temiam seguir o mesmo destino.

Mas, nesse livro, tem um personagem ainda mais forte do que José Amaro Machado, que é o seu antecessor, Manuel do Rego Barros Sousa Leão. Esse cara era advogado natural de Pernambuco e entrou na política como deputado provincial. Foi presidente da província do Piauí por dois anos, de 1870 a 1872. Nesse meio tempo, de uma tacada só, mandou libertar cerca de 2 mil cativos das Fazendas Nacionais. No entender dos proemientes do lugar, isso iria falir a economia piauiense, baseada na mão-de-obra escrava. Tanto que foi defenestrado do poder, como haviam sido outros, que defendiam os índios.

Como se vê, não existe tédio em minha vida, são muitas ocupações na quarentena. Todas de cunho intelectual. Talvez eu precise de uma ativida física, por menor que seja. Porém, nesse momento, realmente está muito complicado. Levei um tombo na sexta-feira 12, Dia dos Namorados, e machuquei o pé esquerdo, justamente aquele que me oferece melhores condições de apoio. Enfim, coisas da vida.

Estou sendo informado pela professora Pedrina de que a cidade de Altos já conta com 154 casos confirmados do Novo Coronavírus. Não fico espantado com isso. As pessoas simplesmente não respeitam o isolamento social. Acham que é coisa do outro mundo, que não serão alcançadas pelo vírus. Usam uma mascarazinha, e pronto. Todos sabemos que a proteção não é apenas a máscara. Existe uma série de outras medidas, como a higiene das mãos e das vestes, a limpeza permanente do lugar em que se vive, o distanciamento social (não se deve a menos de 2 metros daqueles com quem se fala na rua ou nos lugares em que vai andar, por necessidade) e permanecer em casa na maior parte do tempo, se possível, o tempo todo. É isso ou o contrário disso. E por aqui não vejo nada que se pareça com uma quarentena. Nada mesmo.

Vejo pessoas na rua o tempo. Carros circulando como se estivéssemos em dia normal de atividades. O comércio de portas abertas totalmente. Os que vendem roupas e outros produtos não essenciais abrem as portas pela metade e recebem fregueses com uma normalidade não vista nem mesmo em outros tempos. É como se, de repente, as pessoas por aqui tivessem a necessidade de vestir, de calçar, de andar. Sinceramente falando, o número de casos não corresponde com a realidade das ruas. (Toni Rodrigues)

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