UM PAÍS

O estranho caso dos corruptos de estimação

Eles existem e estão cada vez mais presentes, mesmo nos governos que se elegeram para combatê-los

14/06/2020 08h53
Por: Redação
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Um país que deveria ser diferente, mas os corruptos não deixam
Um país que deveria ser diferente, mas os corruptos não deixam

Hoje, domingo, 14 de junho. Faz nada menos que 93 dias do meu confinamento, em casa, por conta da pandemia. Ao contrário de muita gente, não sigo o senso comum, de que é uma doença inventada pelos comunistas para destruir o Brasil.

Outros jornalistas também pensam iguais a mim. Diogo Mainard, Mário Sabino, Felipe Moura Brasil, de O Antagonista; Marco Antonio Villa, do Blog do Villa; Alexandre Garcia, que faz comentários em mais de 300 rádios pelo Brasil adentro e canal com 1,5 milhão de inscritos no Youtube; José Nêumanne Pinto, colunista do Estadão e que tem canal no Youtube com mais de 300 mil inscritos.

Nem que eu quisesse poderia desafiar a lógica desse momento. Sou portador de diabetes do tipo 2. Consequência dos meus embates políticos. Estresse elevado ao nível máximo terminou afetando minha saúde de forma indelével. Em casa, faço teletrabalho e produzo meus vídeos diariamente. Às vezes, como diz meu compadre Moisés Filho, mais de um por dia. E algumas lives semanais tratando sobre temas do cotidiano, notícias locais e nacionais, análise dos fatos e críticas sobre o comportamento de governantes e políticos.

Abraham Lincoln dizia que só pode criticar aquele que deseja ajudar. Coloquei essa frase em meu perfil do Facebook. Não vi muitas curtições nem compartilhamentos. Também não vi comentários sobre a publicação. Outro dia publiquei sobre a presença do Centrão no governo Bolsonaro e aí o mundo desabou sobre meus ombros. Até de mentiroso fui chamado, por um desses caras que fazem qualquer cidadão de bem abandonar a atividade política.

Expliquei uma vez. Na política, você tem que se ombrear com todo tipo de gente. Todo mundo se acha no direito de te xingar, de falar coisas a seu respeito, de criar histórias sobre sua vida, de agredir a sua biografia. Sinceramente, tenho lutado muito para ser quem sou. Não é possível admitir tamanho disparate. Mas penso exatamente aquilo, independente da quarentena. O governo Bolsonaro não precisaria do Centrão se tivesse, o senhor presidente, um pouco mais de bom senso e não falasse tanta asneira, em público ou no particular.

Claro. Ele foi eleito por causa disso e não deve mudar porque senão perde a identificação com aqueles que o elegeram, dizem muitos dos seus seguidores. Esquecem que na época ele era candidato. Tinha lado. Agora, é presidente. Em tese, o presidente preside a nação, que é de todos os brasileiros. Ele tem dado demonstrações de que continua como candidato, inclusive nessa história de aliança com os bandidos da política nacional.

Pela primeira, estou vendo gente que imaginava ter bom senso defendendo a bandidagem. Parece que meus cálculos estavam certos. Segundo Lula, quando apanhado no caso do mensalão, em 2005, o brasileiro só é contra a corrupção quando não se beneficia. Por aqui, temos corruptos de estimação. Somente nisso, diante do que estou assistindo, sou obrigado a concordar com ele. As pessoas fazem vista grossa para os seus estimados corruptos. E agora dizem, estimulados pela militância presidencial, de que tanto presidente quanto os ladrões do Congresso, digo, os elementos do Centrão, foram eleitos pelo voto popular. Belo discurso para manter tudo como está. (Toni Rodrigues)

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