POLÍTICA

PGR de Bolsonaro realiza antigo sonho do PT em relação a Sérgio Moro

Caso Tacla Duran está de volta, depois de ter sido arquivado por falta de provas, e tudo indica que seja armação política

08/06/2020 20h57Atualizado há 3 semanas
Por: Redação
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O foragido Tacla Duran já foi ouvido por procuradores e não apresentou provas ainda
O foragido Tacla Duran já foi ouvido por procuradores e não apresentou provas ainda

O governo Jair Bolsonaro está realizando um sonho antigo do PT, que é tentar, a todo custo, encontrar algo que incrime o ex-juiz Sérgio Moro, que abandonou 22 de magistratura para assumir, em janeiro passado, cargo de ministro da Justiça no atual governo. Ele saiu no dia 23 de abril deste ano depois de denunciar que o presidente tentou interferir na autonomia da Polícia Federal, e pelo visto vem conseguindo.

O procurador geral da República, Augusto Aras, elemento anteriormente ligado ao PT e hoje homem de confiança de Bolsonaro e dos seus filhos, está tentando firmar um compromisso de delação que atinja diretamente o ex-magistrado que atuou na operação Lava Jato e fez uma série de condenações, inclusive do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, condenado a 25 anos de reclusão e que se encontra em liberdade por Ato Institucional do Supremo Tribunal Federal.

Os blogs sujos ligados ao PT e ao ex-presidente passaram a semana inteira noticiando que Rodrigo Tacla Durán, um elemento acusado de negociar propina em nome da empreiteira Odebrecht, onde trabalho entre 2011 e 2016, teria um verdadeiro arsenal contra o combativo ex-juiz e um advogado amigo dele, Carlos Zucolotto, que foi seu padrinho de casamento.

Tacla Durán disse que teria mensagens trocadas com Zucolotto em que teria negociado valores para fazer acordo de delação com a Lava Jato. Na época, os representantes do Ministério Público Federal não aceitaram a sua delação. Ele então se tornou agora um troféu precioso para Bolsonaro e seus auxiliares no sentido de atacar Sérgio Moro e tentar destruir sua reputação com vistas ao processo eleitoral de 2022. Bolsonaro pensa em campanha eleitoral 24 horas por dia, sete dias por semana, nem que, para tanto, tenha que se misturar com os piores elementos da cena brasileira.

Ele já fez abertamente em relação ao Centrão. E tudo indica que também estaria fazendo agora no tocante a Tacla Durán, um dos elementos mais pernósticos e perigosos da cena criminal do país. “Causa-me perplexidade e indignação que tal investigação, baseada em relato inverídico de suposto lavador profissional de dinheiro tenha sido retomada e a ela dado seguimento pela atual gestão da Procuradoria-Geral da República logo após a minha saída, em 22/04/2020, do governo do presidente Jair Bolsonaro“, escreveu em nota o ex-ministro. 

O elemento foi ouvido por procuradores federais e não apresentou provas de suas afirmações nem contra Moro nem contra Deltan Dalagnol. Um procurador falou à revista Veja e disse que ele pode até vir a apresentar alguma prova. Mas ainda não o fez.

O PT já tinha usado esse assunto antes. O PGR, supostamente a mando do presidente da República, como sugere Moro, o resgata de novo agora. Mas o fato é que tinha sido arquivado por absoluta falta de provas. Com tudo o que se vê, há indicações mais do que claras de que tudo se trata de uma tentativa de armação política. O Brasil está convivendo e vai continuar por muito tempo convivendo com esse tipo de coisa. Até que se tenha instituições capazes de combater a impunidade por esse tipo de crime. (Toni Rodrigues)

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