SUPREMO

Manifestantes usam máscaras de Pânico e Morte em protesto diante do STF

O protesto teve faixa do grupo "300 Pelo Brasil", tochas acesas, máscaras e marcha tipo militares com intuito de contestar inquérito

31/05/2020 07h44
Por: Redação
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Ritual macabro em frente ao prédio do Supremo
Ritual macabro em frente ao prédio do Supremo

PROTESTOS COM TOCHAS, SIMILARIDADE LAMENTÁVEL — Manifestantes pró-Bolsonaro fizeram manifestação em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal na noite deste sábado, 30. Eles utilizaram tochas acesas e alguns utilizavam máscaras. Fizeram movimentos do tipo marcha militar, batendo os pés como se fossem soldados. Na frente dos manifestantes, uma faixa dizia "300 Pelo Brasil".

Alguns veículos da imprensa chamaram de ritual macabro. Muitos manifestantes estavam usando máscaras do personagem Pânico, filme seriado de terror dos anos 90. Outros usavam máscaras com referencial da Morte, de acordo com rituais mexicanos.

Os participantes pareciam ainda aqueles grupos americanos contra os negros que se vestiam todo de branco e com capuzes e de madrugada avançavam contra suas vítimas infelizes. Chama-se Klu Klux Kan o tal movimento contra negros americanos. Uma similaridade lamentável. Certamente não foi assim que se elegeu o presidente Jair Bolsonaro. Sua eleição se deveu a dois fatores:

— ruptura com o modelo representado pelo PT;

— perspectiva de intensificação da luta contra a corrupção;

QUESTIONANDO LEGALIDADE DE INQUÉRITO — Eles questionam a legalidade do inquérito presidido pelo ministro Alexandre de Moraes. Na semana passada, foram feitas apreensões de computadores e celulares de vários coordenadores de movimentos populares que atuam na defesa do presidente. A vanguarda desses movimentos está sendo chamada pela imprensa de milícia. A líder do movimento 300 Pelo Brasil, Carla Winter, gravou um vídeo atacando o presidente do inquérito. A propósito, ela própria esteve à frente do movimento de sábado à noite, segurando sua própria tocha, um pouco atrás da faixa principal.

POR QUE INQUÉRITO É ILEGAL — A questão está na origem do procedimento. Foi iniciativa do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, aquele mesmo, que deu voto pela soltura do Lula, de quem foi subempregado. Porque antes ele fora empregado de José Dirceu. Beneplático se devolve com beneplácito. Toffoli entendeu que havia ameaças contra ele e seus pares, então instituiu o inquérito, que deveria ser atribuição, no caso, da Polícia Federal, ou do Ministério Público Federal, isso se os ataques fossem contra o Supremo e não contra ministros isoladamente.

NOMEAÇÃO DE PRESIDENTE TAMBÉM ILEGAL — A nomeação por Toffoli de Alexandre de Moraes também seria ilegal. A definição do ministro a presidir o procedimento teria que ser feita, se o inquérito fosse legal, por meio de sorteio. Poderia recair sobre qualquer dos membros da Corte, como de praxe. Se, no decorrer das investigações, fossem confirmadas as acusações formuladas, então a Polícia Federal encaminharia ao MPF para que este oferecesse a denúncia e a encaminharia para o Supremo, que, no caso, determinaria um relator e assim a coisa caminharia normalmente. Mas não foi o que aconteceu.

UMA COISA NÃO JUSTIFICA A OUTRA — Mas a ilegalidade praticada pelo presidente do Supremo e seu seguidor Alexandre de Moraes não justifica as agressões contra autoridades constituídas. A presidência do STF reclama de que haveria movimentos organizados para denegrir a imagem dos ministros. E pior do que isso, para insuflar agressões contra os mesmos. Uma coisa não justifica a outra. O ato ilegal do Supremo não valida as agressões contra seus ministros. E também ameaças. Algumas delas, segundo Toffoli, colocadas nas redes sociais:

— ameaça de atirar contra ministros no meio da rua;

— ameaça de atirar nas costas de ministros no plenário da Corte;

- ameaça de atirar e tocar fogo em ministros dentro do STF;

- jogar bomba dentro do prédio do Supremo;

— grupo terrorista na Deep Web estaria praticando incitação ao crime contra ministros e fazendo ameaças contra os mesmos.

A PALAVRA DE MODESTO CARVALHOSA — Modesto Carvalhosa é, atualmente, um dos juristas de maior conceito no Brasil. Ele afirma que o inquérito é ilegal. E não o faz para defender o presidente Bolsonaro, conforme esclareceu em nota no Twitter. Segundo ele, a ilegalidade de uns não ampara a ilegalidade de outros. E disse que as ações irregulares de algum ministro, no caso Toffoli e Moraes, podem ser corrigidas no plenário. (Toni Rodrigues)

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