ODEBRECHT

Senador está fugindo para não ser notificado pelo STF

Muitos especulam de que Ciro Nogueira estaria se escondendo há vários meses para não receber notificação judicial do Supremo num escândalo de propina

30/05/2020 10h00Atualizado há 1 mês
Por: Redação
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Senador estaria tentando se esquivar da notificação do STF (Foto/Reprodução)
Senador estaria tentando se esquivar da notificação do STF (Foto/Reprodução)

FUGINDO DO SUPREMO, NOTIFICADO POR EDITAL — O senador Ciro Nogueira (Progressistas) está sendo notificado por edital, pelo Supremo Tribunal Federal, para apresentar defesa no escândalo investigado pela Operação Lava Jato. É acusado de receber propina da Odebrecht. Desde 19 de fevereiro que oficial de justiça tenta entregar a notificação ao parlamentar, segundo informações do blog Código do Poder, do jornalista Aquiles Nairó.

No entanto, seus assessores sempre oferecem desculpas ou informação vaga sobre seu paradeiro. Dizem que está viajando, está no exterior em missão oficial, em algum estado brasileiro ou mesmo em isolamento por conta do coronavírus. O fato é que tudo indica que o senador está tentando se esconder da notificação.

Diante da situação, o ministro Edson Fachin, relator do processo, mandou que ele fosse notificado por edital. Com ele, vários outros implicados no rumoroso caso. Ciro Nogueira é senador pela segunda vez. Sempre eleito com grande votação. Confira abaixo a íntegra da notificação por edital:

"DESPACHO: Nestes autos, determinei a notificação dos acusados Ciro Nogueira Lima Filho, Lourival Ferreira Nery Júnior, Cláudio de Melo Filho, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, José de Carvalho Filho, Fernando Migliaccio da Silva e Marcelo Bahia Odebrecht para, no prazo comum de 15 (quinze) dias, oferecerem resposta, nos termos do art. 4º da Lei 8.038/90.

Sobrevém certidão lavrada por Oficial de Justiça desta Suprema Corte atestando haver se dirigido ao domicílio funcional do investigado Ciro Nogueira, nada obstante, devolve, sem cumprimento da diligência, o respectivo mandado."

ALVO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA — O documento assinado pelo ministro Edson Fachin data de 5 de maio do ano em curso. A partir da publicação, o senador terá 15 dias para apresentar sua defesa. Por determinação do Supremo, a Polícia Federal fez apreensões em imóveis do senador em Teresina, São Paulo e Brasília. Ele afirmou na época que estava sendo alvo de perseguição política. Seus amigos mais chegados, a exemplo do deputado estadual Júlio Arcoverde, disse que ele está sendo "vítima de pirotecnia da PF."

AMIGO DE MUITA GENTE INFLUENTE — Ciro Nogueira é amigo de muita gente influente. Começando por Carlinhos Cachoeira. Seu nome apareceu na CPI que investigou o doleiro implicado em inúmeras falcatruas. Também foi citado por suposta ligação com o empresário Fernando Cavendish, um dos mais notórios corruptos da República petista. Ciro nega ligação com Cavendish. E também com outras irregularidades das quais é acusado.

NEGANDO CAVENDISH, MAS... — No entanto, durante o governo de Elmano Ferrer na prefeitura de Teresina, do qual ele participou, a empresa de Cavendish estranhamente conseguiu se meter num negócio com a municipalidade e que resultou em grande prejuízo para a capital. Ele agora participa do governo de Firmino Filho, de quem foi adversário, e se diz um grande benfeitor da cidade.

AGORA ELE ESTÁ NA BASE DE BOLSONARO — Ciro é uma das mais proeminentes figuras do centrão. Atuou decisivamente contra o pacote anticrime do então ministro Sérgio Moro. Contra a prisão em segunda instância e contra a delação premiada. Esteve nos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma. É acusado pela ex-presidente Dilma de tê-la apunhalado pelas costas.

CHAMA DE "TRAÍRA" EM TODO LUGAR Dilma o chama de "traíra" em todo lugar que se fala seu nome diante da mesma. Conta em off sobre uma certa quantia que teria sido repassada para que os deputados e senadores do PP votassem contra o impeachmente. Previamente acertados com Michel Temer, o vice da época, terminaram votando a favor. Todos lembram do discurso sem sentido da deputada Iracema Portela, mulher do senador. (Toni Rodrigues)

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