EX-MINISTRO

Veja aqui detalhes da entrevista de Sérgio Moro à revista Crusoé

Ex-ministro afirma que rompantes autoritários de Bolsonaro precisam ser contidos

29/05/2020 07h32Atualizado há 1 mês
Por: Redação
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Ex-ministro não fala sobre possível candidatura presidencial
Ex-ministro não fala sobre possível candidatura presidencial

BOLSONARO AJUDOU DERRUBAR PACOTE ANTICRIME -- Numa demorada entrevista à revista Crusoé, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse que o presidente Jair Bolsonaro ajudou a derrubar medidas vitais do pacote anticrime, como a prisão em segunda instância e a delação premiada. Ele também disse que o presidente fez isso para proteger seu filho, senador Flávio Bolsonaro, que está sendo investigado pela Polícia Federal por associação com o crime, além da polêmica rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele não admite a possibilidade de ser candidato a presidente. Afirma que se trata de um assunto inoportuno no momento.

AINDA MAIS AGRESSIVO QUE NO FANTÁSTICO -- Moro não tem comedimento em sua fala atual. Na vez passada, quando falou com o programa Fantástico, da Rede Globo, ele mediu bem mais as suas palavras. Mas agora ele afirma claramente que houve intenção de controlar a instituição policial federal para atender aos interesses da família e dos amigos. Ele também vê como muita perigosa a participação de elementos do Centrão no governo Bolsonaro.

ABIN PARALELA PARA ESPIONAR INIMIGOS POLÍTICOS -- Moro não diz de onde partiram. Mas garante que ao longo de sua permanência no ministério recebeu pedidos informaios para ceder policiais ao Planalto a fim de estruturar uma espécie de ABIN paralela que estava sendo montada sob os cuidados do filho do presidente, Carlos Bolsonaro, acusado também de coordenar o chamado "gabinete do ódio". Moro diz que nunca pensou em prejudicar o presidente nem o governo, mas que era impossível permanecer nestas condições. Falou ainda sobre a questão de Lula. O projeto da prisão em segunda instância foi totalmente descaracterizado e isso favoreceu o ex-presidente condenado por corrupção.

SOLTURA DE LULA APOSTA POLÍTICA DE BOLSONARO -- Segundo Moro, a soltura de Lula foi uma aposta política arriscada para o governo Bolsonaro. O presidente acha que a soltura de Lula seria benéfica para sua possível candidatura em 2022. Moro afirma que é um homem da lei e da justiça e não considera que em casos como este se devia pensar politicamente. Essa informação de que Bolsonaro queria a soltura de Lula teria partido do Planalto. Mas não diz objetivamente quem a repassou. "Vou ficar devendo."

Fac símile da revista Crusoé, acima: Bolsonaro afastou-se da agenda anticorrupção

MENSAGENS COM O PRESIDENTE FALAM POR SI -- Aos jornalistas da Crusoé Moro disse que a troca de mensagens com Bolsonaro reflete uma pressão muito grande para que fossem adotadas medidas antirepublicanas. "As mensagens falam por si." Ele enfatiza que se surpreendeu com a abertura do inquérito pela Procuradoria Geral da República, vez que seu discurso de 23 de abril tinha como objetivo apenas explicar as razões de sua saída. Moro falou que mantém respeito pelas Forças Armadas. Disse ainda que os rompantes autoritários do presidente precisam ser contidos. Rompantes autoritários também de alguns ministros, com Abraham Weintraub, da Educação. O ex-ministro pensa novamente em passar uma temporada no exterior. Ele não se sente mais isolado em relação às críticas que vêm sofrendo. Muito disso foi assimilado depois da enxurrada de ataques sofridos após a condenação de Lula. (Toni Rodrigues)

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